Segundo o Canaltech, o executivo disse em entrevista ao Market Makers que o consumidor passará a conversar com agentes capazes de entender contexto, recomendar itens e fechar compras sem trocar de aplicativo.
A declaração ocorreu nesta quinta-feira (9), véspera da publicação da matéria. Para Trajano, a IA marca a terceira grande transformação tecnológica vivida pelo Magalu, depois da revolução digital e da era da mobilidade impulsionada pelo smartphone. Essa leitura ancora o novo ciclo estratégico da varejista, com o comércio conversacional no centro.
Em resumo
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Nova fase — consumidor poderá conversar com agentes de IA para recomendar produtos e concluir pedidos sem sair da conversa
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Lojas físicas — CEO estima que 80% do varejo brasileiro seguirá presencial daqui a cinco anos
Três ondas que remodelaram o varejo
O argumento de Trajano parte de uma sequência histórica que o próprio grupo atravessou. A primeira ruptura foi a revolução digital, que pavimentou o e-commerce. A segunda chegou com os smartphones e a mobilidade como motor das transações. Agora, a terceira onda chega com a inteligência artificial e deve definir o próximo capítulo do Magalu.
| Onda | Motor | Impacto na jornada |
|---|---|---|
| Primeira | Revolução digital | Compra migra do balcão para sites e marketplaces |
| Segunda | Smartphone e mobilidade | Pedidos passam a caber no bolso, via apps |
| Terceira | Inteligência artificial | Busca por palavra-chave cede lugar ao diálogo com agentes |
Essa leitura explica por que a companhia coloca a IA como eixo do novo ciclo estratégico, e não como acessório de marketing. O formato tradicional, em que o cliente digita termos em um buscador e escolhe entre cartões de produto, perde centralidade à medida que interfaces conversacionais ganham escala.
Comércio agêntico no WhatsApp
A principal aplicação prática dessa visão é o WhatsApp da Lu. Antes dos recursos de IA, o canal já atualizava cerca de 20 milhões de clientes sobre o status de entregas. Com a evolução, passou a recomendar produtos e a permitir que toda a compra aconteça dentro da conversa.
O Canaltech descreve o projeto como a primeira experiência de comércio agêntico de ponta a ponta no mundo. Na prática, o usuário explica o que precisa, envia fotos ou vídeos, monta o carrinho e paga sem abrir outro app. Por trás, múltiplos agentes dividem tarefas como verificação de preços, recomendações e controle das respostas da assistente.
| Modelo tradicional | Comércio agêntico do Magalu |
|---|---|
| Busca por palavra-chave em buscador ou app | Conversa com agente de IA no WhatsApp |
| Usuário compara cartões de produto manualmente | Assistente interpreta contexto e sugere itens |
| Checkout em ambiente separado da descoberta | Pagamento concluído na mesma conversa |
| Curadoria limitada ao filtro do usuário | Agentes especializados negociam preço e recomendação |
Desde o lançamento, Fred Trajano aposta que IA transformará compras no varejo brasileiro, soma mais de 9 milhões de conversas e ultrapassou R$ 100 milhões em vendas. O dado de conversão reforça a tese do CEO, a experiência conversacional converte três vezes mais que o app próprio da varejista. Para Trajano, cada vez mais pessoas iniciarão compras falando com um agente, preferencialmente a Lu, em vez de pesquisar termos e escolher entre listagens.
O que disse Fred Trajano
Acredito que essa é a jornada do futuro. Mais e mais pessoas vão começar a jornada de compra falando com um agente de AI, preferencialmente a Lu, do que colocando uma palavra-chave num buscador e escolhendo um card de produtos.
O executivo também situou a mudança no histórico da companhia.
A primeira foi a própria revolução digital. A segunda foi da mobilidade, com a invenção do smartphone, e nós estamos vivendo a terceira agora, que vai marcar o nosso novo ciclo estratégico, que é a inteligência artificial.
As falas foram registradas na entrevista ao Market Makers, gravada no Teatro YouTube da Galeria Magalu, no Conjunto Nacional, em São Paulo.
Loja física ganha novo papel
A aposta digital não significa aposentar o varejo presencial. Trajano calcula que, mesmo daqui a cinco anos, cerca de 80% do varejo brasileiro permanecerá em lojas físicas. O desafio, segundo ele, é oferecer serviços e experiências que a internet não replica.
A Galeria Magalu funciona como vitrine desse pensamento. O espaço combina atividades culturais, personalização de produtos, uma arena gamer e um scanner com IA que analisa a pele para recomendar cosméticos. A estratégia une atendimento conversacional no ambiente digital a experiências exclusivas do ponto de venda. A loja precisa entregar algo além da transação, do produto e do preço.
Contexto de mercado
O discurso de Trajano chega quando grandes varejistas disputam quem consegue reduzir fricção entre descoberta e pagamento. O Magalu testa essa corrida com infraestrutura própria, pagamento integrado à conversa, agentes segmentados por tarefa e um canal que já movimentou R$ 100 milhões com IA ativa.
A conversão triplicada frente ao app sinaliza que o comportamento do consumidor pode mudar mais rápido que a migração do físico para o digital ocorreu nas décadas anteriores. Para rivais do setor, a lição é dupla. Quem não investir em jornadas conversacionais arrisca perder a primeira interação de compra. Quem focar só no digital, por outro lado, ignora os 80% do mercado que, na projeção do CEO, seguirão presenciais.
A disputa deixa de ser apenas sobre catálogo ou preço e passa a envolver quem consegue interpretar intenção, recomendar com contexto e fechar pedidos no mesmo fluxo. No caso do Magalu, o WhatsApp da Lu já opera como laboratório dessa transição em escala real.